Caro leitor, há quanto tempo, não?
O tempo passou tão rápido e tantas coisas aconteceram que não sei nem por onde começar. São tempos difíceis, conturbados. Por alguns instantes esquecemos do que realmente importa e nos damos conta de que estamos brigando mais uma vez. É o vizinho que aumentou o volume do som, é o político que falou bobagem, é o outro que respondeu. Ufa, são tantas coisas. São tempos difíceis.
Mas do limão pode sair uma limonada. Enquanto não podemos abraçar quem amamos, estar perto dos nossos e percorrer caminhos seguros, podemos aproveitar para refletirmos sobre nossas próprias vidas. Abraçar a nós mesmos, estar perto de nós mesmos e reposicionar o coração. A realidade nos impôs uma condição e estar nela não é nossa escolha. São tempos difíceis.
Mas reposicionar o coração não é só questão de estar bem consigo mesmo. É parar para respirar, tentar experimentar a serenidade, deixar de julgar as ações dos outros, deixar de rotular as pessoas e observar o mundo a sua volta. Observar o que acontece no entorno, perceber o vento batendo na janela, o passarinho cantando, a folha caindo no chão e aquele único pingo caindo na terra seca no início da chuva.
Observar o mundo que nos cerca e nos cercar da beleza que o mundo oferece. Quantas vezes já repeti que o caminho é tentar enxergar a beleza no caos? São tempos difíceis, mas a dificuldade só é superada se passarmos serenos e enfrentarmos com a cabeça erguida, sem mesquinhez.
São inúmeras as discussões - e todas válidas- sobre a melhor forma de passarmos pelo aperto que a realidade - mais uma vez- nos impôs. São inúmeras as discussões. Mas são inúmeras as formas serenas de encarar essa mesma realidade. Poderia dar muitos bons exemplos de como as pessoas estão encarando o tal "isolamento forçado", como as cantorias nas janelas, a aproximação das famílias, os atos de caridade, as ações de piedade.
Mas todos esses exemplos se resumem em uma imagem que não me sai da cabeça. Em um momento desolador, o mundo ficou aflito ao ver o Papa Francisco sozinho na Praça de São Pedro. Ao dar a benção, em um ato de piedade, o Santo Padre pediu a salvação da humanidade ao Único que pode salva-la. Em um ato de caridade, o Papa atravessou a Praça abaixo de chuva para provar que ninguém precisa temer. Em um ato de fé emocionou o mundo inteiro ao provar que um momento desolador pode servir de consolo a toda uma humanidade.
Reposicionar o coração é servir, é não reclamar, é fortalecer a fé, é aceitar a realidade. É fazer do limão uma deliciosa limonada. São tempos difíceis. São tempos consoladores.
Aguenta firme. Tudo vai passar!
Thailan de Pauli Jaros
31MAR2020
