Era uma tarde de sábado, não lembro bem de que ano. Eu devia ter uns sete ou oito anos, andava de bicicleta com meu irmão por algumas poucas ruas da cidade. Ao subirmos uma das ruas nos deparamos com ela interditada, um palco montado e centenas de bandeirinhas coloridas.
Nem preciso dizer ao leitor que era o mês de junho. Foi a primeira vez que vi a preparação para uma festa junina de rua. Hoje me lembro com carinho desse instante e de alguns detalhes da festa que aconteceu naquela fria noite no interior do país.
Não é que eu seja entusiasta das quadrilhas, danças e da canjica. O que me chama a atenção é a belíssima decoração, as vestimentas, o espetinho, o pinhão e o quentão.
Quem é que não gosta de se esquentar com um quentão em uma fria noite de junho? Quem é que vai dispensar um espetinho que acabou de sair do fogo? Quem é que vai negar uma paçoca oferecida com carinho?
Mesmo os mais incrédulos insistem em comprar o bolo de Santo Antônio pra ver se arrumam casamento. Mas nunca me esqueço daquela fogueira altíssima queimando naquela noite escura.
Eu olhava as lenhas sendo consumidas pelas chamas que esquentavam os foliões e pensava comigo mesmo que era impossível pular a fogueira, como nos dizia a tradicional canção. E foi naquela noite que eu olhei para o céu estrelado e percebi a imensidão do mundo.
Nós que somos do interior temos o prazer de enxergar muito mais estrelas do que aquelas vistas na cidade. É um jogo de iluminação que atrapalha a luz daquelas que iluminam na completa escuridão. Olhei o céu outras vezes em outros meses, mas o céu de junho me encanta.
Eu olho para o céu e vejo como ele está lindo, olho as estrelas e vejo como elas estão cintilantes, eu olho para mim e vejo como eu posso chegar até lá. Não sei você, mas há algo de diferente no céu de junho que eu não consigo explicar. Talvez seja o frio que nos faz viajar na nossa própria imaginação, talvez seja Deus se fazendo presente nas quermesses das capelas.
Assim passa a metade do ano e o céu de junho continua o mais bonito de todos os meses. Ah, o céu de junho. O céu mais estrelado do ano que mesmo a neblina fica com inveja e quer esconder de todos.
O céu de junho esquenta o inverno, aquece o coração e nos faz olhar com intensidade para a imensidão da criação. O céu de junho é perfeito e quando a lua passa a clarear o horizonte a certeza é de uma perfeição ainda maior e infinita na nossa verdadeira Pátria. O céu de junho poderia mesmo ser um espelho daquilo que poderemos encontrar no fim de nossa caminhada.
(*)
Boas vindas ao inverno
Boa sorte ao outono
Até logo a primavera
Vejo em breve o verão
Abraços!
Thailan de Pauli Jaros
29JUN2022
Solenidade de São Pedro e São Paulo
P.S.1. Ainda tenho que escrever sobre os meus balões de dobradura, mas fica para a próxima, talvez ano que vem.
P.S.2. O bom das festas juninas é que elas continuam no mês de julho, naquilo que se convencionou dizer de festa julina. Vai dizer que o povo brasileiro não é criativo?
P.S.3. O tal do espetinho conhecido em todas as partes do Brasil é chamado de xixo na minha terra. São as regionalidades que nos fazem brasileiros.