terça-feira, 30 de março de 2021

O fardo leve

Esgotaram-se as forças. Chegou o fim do caminho e a luz se apagou no início do túnel. A sensibilidade à flor da pele arranca os nervos e a constante preocupação beira ao desespero. Não só beira ao desespero, mas inunda a consciência em um mar de negatividade onde a luz talvez nunca possa chegar. Talvez.

No entanto, o momento é oportuno, o tempo é favorável e a safra promete. A uva que aguentou a tempestade pode se transformar no mais delicioso vinho. O fruto que madurou durante as adversidades poderá ser colhido e valerá muito mais.

Sem ressentimentos ou rancor, sem inventar problemas totalmente suportáveis. O fardo que carregamos pode não ser nada comparado ao peso do mundo nas costas do esquecido. Mas olhamos pelo ângulo errado e tentamos, muitas vezes, carregar uma cruz pesada demais sozinhos. Esquecemos que não somos nada e nunca suportaremos o pesado fardo antes de aceitarmos ajuda.

Não podemos fingir que o fardo não existe. Ele existe e se tornará cada vez mais pesado se continuarmos com nossos vícios, nossas mesquinharias, nossos problemas. O fardo só se torna leve para aqueles que o aceitam e aceitam companhia.

É quando largamos os vícios, as mesquinharias e os problemas que conseguimos ver a beleza nesse mundo louco em que vivemos. Sim, esgotaram-se as forças mas surpreendentemente a cruz pareceu mais leve porque pedimos auxílio e apreciamos o bom, o belo e o verdadeiro.

Sigamos. Hoje, mais do que nunca, somos chamados aos pequenos sacrifícios, ao desapego do que certamente nos faz mal. Todo o sofrimento humano não se compara com a cruz. Afinal, é buscando a cruz que encontramos o fim do túnel. É assim que a luz entra na escuridão. 

Sigamos

Thailan de Pauli Jaros

30MAR2021


segunda-feira, 15 de março de 2021

Não há razão pra desespero


A borboleta passa tranquila pelas árvores, pousa numa flor e aproveita o dia ensolarado de um domingo. O dia é quente demais, quase insuportável para um ser humano. As nuvens permanecem no mesmo lugar porque não há vento suficiente para fazê-las movimentar. Tudo parece estar parado, como em um processo de stand-by. O único movimento são as asas da borboleta, que batem seguras, na tranquilidade do dia de domingo.

No outro lado da cidade o movimento é frenético. As ambulâncias não param, as sirenes são ouvidas através dos ecos dos arranha-céus. Os ruídos são desesperadores e a ideia do caos faz qualquer um sucumbir ao medo. Medo de um fim que, apesar de esperado, não é conhecido. Medo de uma morte que, por falta de fé, acabaria com a existência. Medo do sofrimento que, pela falta de amor, seria insuportável.

Nesses nossos tempos de caos, de sentimento de guerra, de desolação, não podemos nos entregar ao desespero. A manutenção da esperança é crucial para lidarmos decentemente com os obstáculos da vida. A Vida, com vê maiúsculo, não pode ser negada em nenhuma hipótese e não há contrariedade, por pior que seja, que diminua a importância da realidade na nossa existência.

Portanto, pés no chão e olho na realidade são os pilares para seguirmos em frente, sempre procurando o que é do alto, sempre confiantes. Os tempos não são os melhores, mas ninguém falou que seriam. Talvez nunca tenham sido. Aguentar firme é mostrar força, é mostrar caridade.

O desespero atual só pode ser convertido em serviço. Cuide de quem está a sua volta, ajude o próximo que está sofrendo, esteja disponível para atravessar as tribulações dos outros. Ninguém está sozinho e é extremamente necessário olhar para os outros e ajudar no que for possível. É só quando esquecemos de nossos sofrimentos tentando amenizar o sofrimento de nosso próximo é que nos aproximamos de nosso principal objetivo: servir.

Não há razão pra desespero.

15MAR2021

Thailan de Pauli Jaros