terça-feira, 30 de abril de 2019

De varde


Ri sozinho quando resolvi procurar o significado de expressões quase não utilizadas nos tempos modernos. Só fui pesquisar porque lembrei de um episódio que aconteceu no ano passado: eu estava na universidade sem fazer nada (uma das raras vezes) e falei para alguns colegas que estava "de varde". A risada foi geral.

Diante de rostos espantados - quase que com um ponto de interrogação desenhado nos narizes- eu perguntei qual era a graça. O povo de prédio, da cidade, nunca tinha ouvido falar da expressão "de varde", embora com toda certeza todos estavam a toa naquele dia. O leitor, se não estiver encucado, está rindo com mais uma palavra estranha que acabou de descobrir. Pois explico o significado dela. De acordo com o Google, a expressão significa "não fazer nada". 

Mas o episódio passaria despercebido não fosse eu estar "de varde" durante todo fim de semana. Paranaense orgulhoso que sou, fui pesquisar a fundo de onde vem a expressão e ri muito quando descobri. "Varde" é uma adaptação, em algumas regiões rurais, da palavra "balde", que vem de "baldio" (daí os terrenos baldios). Eu, paranaense que sou, nasci falando a expressão "de varde". Se duvidar foram minhas primeiras palavras.

 (*)

Eu, paranaense que sou, afirmo com todas as letras que não tenho sotaque. Puxo o "R" e falo "leitE quentE". É o certo, não sotaque. Mas minha arte/ofício me obriga a seguir os padrões televisivos de acento carioca. Terei que recorrer ao profissional de fonoaudiologia. Aceito o sotaque carioca porque gosto, aquele que não termina a palavra e coloca "x" até onde não precisa. "Caraca, mermã(.) olha a encrenca em que nos metemos, só pode ser caô!".

Os sotaques nordestinos também são belos, mas me dão sono (eles não ficam "de varde", ficam "a migué"). O acento mineiro me traz paz e plenitude. O catarinense não entendo, os manés falam muito rápido. O paulista, no interior, fala parecido comigo. Já o sotaque gaúcho, bah! Quero nem opinar.  

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Mas no meio de todos os sotaques eu ainda prefiro o silêncio. Vamos combinar de falar somente o necessário, sem gritos e meias palavras, por favor.

(*)

Abração
Thailan de Pauli Jaros
30ABR2019

terça-feira, 23 de abril de 2019

Detalhe


Detalhe é a foto mal tratada, a vizinha mal encarada e o mundo em combustão. Muitos são os detalhes que podem mudar os rumos de uma vida. Muitos são os momentos que podem revelar os detalhes da vida. O gol na trave é só um detalhe, é óbvio que a bola poderia entrar. Mas também poderia entrar quando o goleiro alcançou e deu o escanteio para a equipe adversária. É só um detalhe quando o gol é contra, mas pesa muito, e como pesa.

Detalhe é o abraço que não se deu, o beijo que não foi e o adesivo colado no carro. Detalhe é o vapor no espelho, a caneta do jornalista ou no pé do zagueiro. Detalhe são as flores no quintal, a espera na estação e uma andorinha no verão.

Detalhe é o anel no dedo esquerdo, o nó torto de um tênis ou um match point da zebra. Detalhe é o Federer perder e o Djocko levar pneu. Detalhe é o Lucarelli não alcançar a bola ou o Pelé fazer um gol de mão, ou de meio de campo.

Detalhe é a cor de pele, o rasgo no jeans e a maquiagem mal feita. Detalhe é o nariz do palhaço, o riso da criança e a canção pra boi dormir.

Detalhe é o samba e a gafieira, o rock e o sertanejo, o blues e a música clássica. Detalhe são as teclas do piano, as cordas dos violões e o folego de quem não consegue tocar flauta. Detalhes são as dez mais tocadas, é a hipocrisia na calçada e o amor nos corações.

Detalhes podem mudar os rumos de uma vida, o detalhe é uma vida quando se grita campeão. Detalhe é o boi em um rodeio, o silêncio no escanteio e a euforia em um gol. Detalhe é o radinho a pilha quando a pilha acaba e tudo fica ensurdecedor. Detalhe é quando a luz apaga, quando a vela é acesa e o mundo para de girar.

Detalhe é quando todos os parágrafos começam com a mesma palavra, quando o leitor volta a reparar e ri sozinho quando lê. Detalhe é só mais um detalhe, não vale a pena prestar atenção, né?

Thailan de Pauli Jaros
23ABR2019

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Amores de Corredor



Ainda com as pálpebras pesadas depois de mais uma noite mal dormida, cheguei cansado. Tropecei cerca de quatro vezes no caminho até a Universidade. O poeta não brincava quando dizia que no meio do caminho havia uma pedra (ou várias).

Depois de um ano inteiro fazendo o mesmo trajeto até a sala de aula, resolvi tomar um caminho mais longo (dessa vez sem os fones de ouvido). Tinha de encontrar algo diferente. Era preciso tropeçar em novas pedras, a começar pela entrada da Praça Santos Andrade. Não demorou muito para mais um tombo.

Respirei fundo e virei à esquerda. São cerca de vinte passos até a escadaria que leva ao próximo bloco. Por costume ou necessidade, andava olhando para o chão. Acho que a maioria das pessoas que não valorizam a experiência do contato visual faz isso. Acredite, não é o meu caso. Com um olhar discreto de baixo para cima, algo chama a atenção.

Dois jovens, de alguma forma dividiam o espaço de um único azulejo. O olhar fixo não era de qualquer efemeridade, era eterno. Por mais que não se ouvissem as frases ao pé do ouvido, os sorrisos de ambos já denunciavam as juras de amor. Só pude olhar por cerca de três segundos. Por sorte, foi a única coisa durou pouco naquele momento.

Conforme eu repetia o caminho diariamente, também se repetia a cena, mas nunca o contexto. Dias de beijos, dias de brigas. Nada mais importava. O que importava era que eles permaneciam ali, dividindo o mesmo pedacinho de azulejo em uma cidade do interior do Paraná. Sem dúvida, para eles, a pequena distância entre os pés era quilométrica.

Loira dos olhos verdes e moreno dos olhos castanhos. Os dois se completam. Pouco importa o “para sempre”. Pouco importa o “amor verdadeiro”. Hoje eles se atrevem a serem felizes juntos, num mundo tão individualista. Hoje é o que conta. Contam os minutos para cada um ir para sua respectiva sala de aula e tentam multiplicá-los ao máximo.

Eu nunca falei com eles, tampouco sei o curso que fazem ou sequer os nomes. Afinal, quem sou eu para atrapalhar algo tão único, ainda que diário? Só sei que todos os dias, das 7h45 às 8h, os dois se amam incondicionalmente.

Se um dia lerem isto, saibam que vocês me lembram um outro casal, desses que também contavam os segundos para o intervalo. Por mais que os corredores tenham se tornado esquinas e os 16 tenham se tornado 20, eles continuam com o mesmo frio na barriga. Até hoje ela não sai da minha cabeça de jeito nenhum. Quando se encontra o amor da vida, por mais que demore a vida toda, vale cada sorriso, cada abraço, cada instante.

A beleza do cotidiano por vezes se esconde. Quando a gente menos espera, acaba tropeçando em mais um amor de corredor. Entre um café e outro, ainda os vejo de longe. Mesmo que sem assunto, dizem tanto. Acredite, o mundo ainda é dos amadores (por mais que a maioria insista no contrário).

Allyson Santos
19ABR19

terça-feira, 16 de abril de 2019

A fé não pode se perder na destruição


Está difícil escrever algo, confesso. Era certo que eu escreveria sobre a Semana Santa e a Páscoa. Gostaria de escrever sobre renovação e a alegria que representava a nova vida. Queria escrever coisas lindas que o mundo viveu e terminar falando de coisas positivas. Mas só o que me vem na cabeça são as chamas consumindo a Catedral de Notre-Dame.

Nesses tempos voláteis ver uma obra arquitetônica que durou mais de 800 anos acabar em poucas horas entristece. Não há sélfies e fotos que possam fazer voltar um dos maiores símbolos do cristianismo da França. Um dos maiores símbolos cristãos do mundo. Não há palavras para definir o nosso sentimeno.

Pode parecer blasé, antiquado ou careta, mas uma civilização que se importa muito mais com coisas fúteis e passageiras e não sente a destruição de uma obra prima como a destruição da própria civilização está fadada ao fracasso.

Os olhos do mundo se voltam para Paris, todos lamentam o fim de um dos pontos turísticos mais visitados da terra mas esquecem que a torre sendo engolida pelo fogo é uma grande metáfora para nossos sistemas de valores. O que realmente importa para nós?

É que nós queremos tudo para ontem. Fazemos escolhas sem ao menos pensar nas consequências. Achamos que não temos responsabilidades em nada. A culpa sempre é do outro, seja lá quem for. Somos crianças mimadas e não entendemos absolutamente nada. Não entendemos e nem tentamos entender.

Nessa ânsia pelo prazer a qualquer custo estamos ficando doentes. Sintomas como depressão e ansiedade nos levam ao nirvana: as bolinhas coloridas que vendem como água. Rivotril tomamos com o café da manhã. Não acreditamos em nada e não saberemos o que fazer quando o tsunami bater. O pior é que a grande onda já passou. E continua nos engolindo.

Nossas doses de álcool e drogas e o consumo desenfreado de remédios não controlados são sintomáticos. Uma civilização sem valores claros só anda para trás. Retrocesso atrás de retrocesso.

Ainda ontem conversava com meu irmão sobre as construções góticas transcendentais e nossas novas igrejas que não representam nada. Nesse ponto sou uma criança, não sigo a ferro e fogo minha religião e pago um preço por isso. Estudo menos do que gostaria sobre símbolos e significados das coisas. As civilizações anteriores se preocupavam com cada detalhe. Nós nos preocupamos com o almoço de amanhã.

Não é questão de ser ateu ou cristão. É questão de saber o teu lugar no mundo. Tudo passa. Somos passageiros. Somente os grandes feitos da humanidade é que ficam. Notre-Dame era um deles. Valores servem para que a civilização não caminhe rumo a barbárie. Hoje, infelizmente, tenho a sensação de que estamos indo para esse caminho. Não sabemos nossos valores.

A destruição de uma obra prima de 855 anos não vale um iphone. Ao abrirmos mão dos pilares de uma civilização para servir nossas façanhas e desejos imediatos tudo o que podemos esperar é vermos, atônitos, nossa história ruir. A civilização ruir.

A destruição de uma Catedral significa muito mais do que perdas históricas ou arquitetônicas. Para os cristãos aquele prédio significava a fé. Nós não podemos perder nossa fé. Fé essa que pretendemos renovar durante a Semana Santa. O simbolo cristão é renovado quando vemos que, em meio as chamas, o altar da igreja permaneceu quase intacto. Só nos resta esperar com fé pela vida eterna.

Deus nos abençoe
Thailan de Pauli Jaros
16ABR2019

terça-feira, 9 de abril de 2019

Andança



Por aí, com um samba na cabeça. Nas curvas da viola, a esquina. O choro do cavaco que ecoa no peito, passa em descompasso com o coração. Aí foi que o barraco desabou. A verdade é que caminhei à toa, mas não porque a pauta caiu, e sim porque sambava pelo quebradiço das calçadas. Desfilava por aí sem pensar no que aconteceu. Nada é meu, nem o pensamento.

Vagando em verso, eu vim em busca de uma semana sem tantas estrofes. Uma melodia suave bastaria para esquecer a falta que você faz e todas as coisas que meu ego não quis resolver. Falta gente de verdade na gente. Se faltava dentro de mim, o samba preencheu por alguns instantes naquele anoitecer. Ao luar descansa o meu caminhar. Da lua cheia, uma saudade imensa.

É do jeito que a vida quer. É desse jeito. Caminhando aprendi que não dá pra voltar atrás, a paisagem não é a mesma. As pessoas não são as mesmas. É certo que algumas coisas eu posso e preciso controlar. A impressão que fica é que, assim como o samba, permaneço singelo e despreocupado. O samba mais alegre por vezes é composto às lágrimas. Se perde gente e as que ficam vão embora. É difícil ser assim, sei lá. Meio passional por dentro.

Ninguém sabe a mágoa que trago no peito. Quem me vê sorrindo desse jeito nem sequer sabe da minha solidão. É que meu samba me ajuda na vida. Minha dor vai passando, esquecida. Vou vivendo essa vida, do jeito que ela me levar.

Se a gente nota que uma só nota já nos esgota, o show perde a razão. Mas iremos achar o tom, um acorde com lindo som e fazer com que fique bom outra vez, o nosso cantar. A gente vai ser feliz. Olha nós outra vez no ar. O show tem que continuar!

O itálico fala por si só. Não deixem o samba morrer!

Allyson Santos
09ABR19

Do céu ao inferno: a minha timidez


Ultimamente tenho me incomodado com a minha timidez e lutei por muito tempo para não escrever sobre ela. Queria deixá-la quieta no cantinho. Acredito que quem fala muito de sua timidez na verdade nem é tímido. Eu não sou tímido, sou extremamente tímido.

Quem me vê ali, de longe, acha que não gosto de conversar. Mas adoro jogar conversa fora, falar sobre política, Big Brother, séries, novelas, filmes, músicas e - pasmem- futebol. Mas nunca sei como começar a conversa. Nunca sei conversar.

Quem passa por mim esperando cumprimentos pode notar o meu esforço para um simples "olá", ou "como vai?". É como quando jogo futebol, as jogadas estão prontas na minha cabeça mas o corpo não colabora e sempre furo o gol. Com simples cumprimentos não é diferente. Na minha cabeça- sempre à mil por hora- as frases estão prontas e sou extremamente simpático. Mas a partir do movimento que usa do sorriso e das cordas vocais tudo vai pelo ralo. Dia desses fui me despedir de um colega e perguntei se estava tudo bem. 

Para os tímidos a internet trouxe várias possibilidades. Com uma tela na frente ficamos mais simpáticos, temos mais tempo para acostumar com interações. Ao mesmo tempo conversas formais me deixam desesperado. Defeito que, aos poucos, vou me acostumando a lutar contra.

Nem tudo são espinhos. Diria tranquilamente que meu maior defeito é a timidez, mas também minha maior qualidade. Tenho grande capacidade de concentração e adoro ajudar as pessoas. Quando ofereço ajuda é porque realmente quero ajudar. Se tratando de amizades, não sou muito bom em conselhos, mas me considero leal aos poucos amigos que tenho.

Prefiro falar com multidões do que a sós. Percebi que tenho um "dom" (ou o que quer que seja) de falar para mais de dez pessoas sem me sentir pressionado. Quando fazia teatro e/ou pintava a cara tudo fluía como fosse outra pessoa. São os mistérios da vida. 

Eu, solitário na minha timidez, aprendi a apreciar o silêncio. Em tempos de gritaria por todos os lados, ser tímido é uma dádiva. Acredite, estimado leitor, você não gostaria de ser tímido. É um defeito muito mais que uma qualidade. Temos que nos acostumar com medos, enfrentar batalhas sozinhos e - muitas vezes- somos mal compreendidos por aqueles que gritam aos quatro ventos.

É claro, não fosse a minha timidez eu não saberia escrever (se é que escrevo algo). Pronto, só queria falar isso. Agora vou deixar minha timidez no canto dela, quieta e pronta para a batalha. 

Abraços!
Thailan de Pauli Jaros
09ABR2019





terça-feira, 2 de abril de 2019

Histórias de primeiro de abril



O primeiro de abril é um dia perigoso. O dia em que todos resolvem contar mentiras e pregar peças em outras pessoas e, ao mesmo tempo, todos resolvem acreditar - nem que seja por poucos segundos. Eu sou um que caio nas pegadinhas de primeiro de abril todo ano há 20 anos. Mas também 'faço' algumas 'façanhas'.

Quando era pequeno, todo ano mentia para meus irmãos que a Xuxa tinha morrido. A comoção nos olhos deles era super engraçada, mas durava menos de um minuto. Minha avó vivia dizendo que adorava um ator global. Por uns dois anos eu menti para ela que o artista tinha morrido. Até que ele morreu de verdade, e não em um primeiro de abril. Falar que alguém morreu é uma das mentiras mais recorrentes do primeiro dia deste mês. Sadismo e brincadeira. Pedro Malasartes tentou brincar com a morte e deu no que deu.

Mas o primeiro de abril deste ano foi demais. Recebemos, eu e meu irmão, os convites para uma palestra de um jornalista importante. O evento estava marcado para as sete e quarenta e cinco da manhã de segunda-feira, 1° de abril, em um lugar a doze minutos de distância de casa.

Era exatamente meia-noite, domingo já tinha virado segunda, e eu resolvi mentir para o meu irmão que o jornalista cancelou a participação no evento. Ele acreditou por trinta segundos. Já comecei meu primeiro de abril mentindo, como de praxe. Colocamos os relógios para despertar às dez para sete da manhã e dormimos.

De repente meu irmão me acorda no susto, meu celular não despertou. Levantei, fiz café e nos arrumamos para sair. Acontece que o despertador dele 'gritou' eram dez para as seis da manhã. Uma hora antes do combinado. Talvez um ato falho, talvez coisa do destino, mas poderíamos ter dormido uma hora a mais. Coisas da vida. Histórias de primeiro de abril.

(*)

No ano passado uma apresentadora de tevê escreveu um texto enorme numa rede social. Ela estava despedindo-se de seus telespectadores porque tinha pintado uma oportunidade de passar um tempo viajando pelo mundo. Eu caí feito um patinho.

Mas o pior não foi eu ter acreditado. Eu acreditei até setembro quando, depois de contar para todo mundo que a apresentadora iria sair da televisão. resolvi voltar na postagem e reler. Foi então que prestei atenção na data: era primeiro de abril. Cinco meses se passaram assistindo à mulher na televisão e se perguntando o motivo de ela continuar ali. Se fosse uma cobra tinha me picado.

(*)

Nota mental: A verdade é que o primeiro de abril marcou uma data importante para os paranaenses. Trata-se do início da temporada do pinhão. Gosto de pinhão cozido e na chapa com bastante sal e um vinho para acompanhar.

Nota mental²: Outro dia comprei um churros recheado de sorvete. No lugar da casquinha do sorvete italiano, o povo resolveu fritar o churros no mesmo formato e rechear com chocolate (no meu caso um brigadeiro gourmet) e sorvete de chocolate e baunilha. Pense numa coisa gostosa... E cara.

O mais curioso era o nome da iguaria: chuvete.

Nota mental³: A atriz Elizabeth Savalla faz um ótimo papel na novela das nove. Uma grande atriz em tempos em que atuação se faz em frente aos telefones.


Abração!
Thailan de Pauli Jaros
02ABR2019