Muitas vezes paro para observar os detalhes de algo que passa despercebido durante a vida de muitos. A pintura daquela casa antiga, a luz do outdoor que pisca freneticamente com algum tipo de mau contato ou até mesmo aquele unicórnio que vi passar ao meu lado em uma manhã ensolarada.
Peraí?! Unicórnio? Ok, vou contar a história do começo.
A brisa continuava sensível à minha pele quando virei pacificamente o rosto para o lado esquerdo e vi o que poderia ser um unicórnio. Um cavalo branco majestoso pastava em frente aos meus olhos e o que eu vi era um chifre no meio da cabeça do animal.
Até o final desta crônica o leitor decide se devo ou não me internar em um sanatório. O fato é que pensei muito antes de escrever o texto. Não sabia o que aquela "visão" poderia significar, se a fantasia tinha se tornado realidade ou se era mais um conto para as crianças dormirem.
Pensei em dissertar sobre o crescimento das startups só para mostrar que estou antenado nas novas tecnologias e sei que unicórnio é a empresa que chegou ao faturamento de um bilhão de dólares. Mas isso não seria interessante para o leitor.
Decidi recorrer à fantasia. Antes de eu continuar a história do animal com um chifre na cabeça vou contar outra anedota. Há meses observo um grande casarão que fica embaixo da janela do meu quarto. A casa é enorme, muito bonita e cuidada. Mas parece que não mora ninguém.
Em alguns dias observo um homem, que pode ser o jardineiro, regando as plantas – lindas flores- e abrindo as janelas para ventilar. Fico inventando desculpas na minha cabeça de algum suposto motivo para que a casa esteja vazia.
Pode ser que os donos não morem na cidade, pode ser que ninguém quer alugar o local porque é assombrado ou – acho que o mais provável- os proprietários trabalham fora e só voltam, curiosamente, quando eu não estou olhando.
Outro dia fiquei observando de minha janela o jardineiro trabalhando incansavelmente até que ele olhou para cima e nossos olhares se cruzaram. Eu virei o rosto e fingi que não o observava. O homem, um senhor de aproximadamente sessenta anos, voltou a trabalhar e ficou por isso mesmo.
Falando em olhar para o lado. Voltemos ao unicórnio. Eu poderia fazer um texto relacionando o animal com a pureza, ou até mesmo com a força. Mas seria muita forçação de barra. Eu vi um cavalo com um chifre na cabeça.
O cavalo era muito bonito, pastava alegremente e estava de lado. Quando ele se virou de frente para mim eu pude concluir que o que eu achava ser um chifre eram, na verdade, as orelhas. Portanto, não havia um unicórnio, era apenas uma miragem.
Não sei se posso ser internado, não sei se devo comprar um óculos. Quantas vezes fazemos algo achando ser uma coisa e na verdade é outra? Muitas, né? No entanto, as coisas são o que são e nossos pontos de vista não interessam muito, afinal.
Nossos olhos ou opiniões nos enganam e a verdade só pode ser absoluta. Bom, o unicórnio não era verdadeiro, mas o cavalo majestoso foi muito simpático. Resolvi ir embora para observar outros detalhes em outro lugar.
(*)
Peço desculpas ao nobre leitor porque faz tempo que não apareço por aqui. A culpa é toda minha, confesso. É que a vida anda tão corrida que escrever acaba ficando para depois. O problema é que esse depois quase nunca chega. Prometo voltar com mais frequência.
Saudosos abraços
Thailan de Pauli Jaros
23ABR2022