A escuridão demora a chegar nesses dias quentes de verão. O anoitecer vem lentamente, como uma tartaruga na eterna corrida contra e lebre que nos conta a fábula. O vento parece respirar numa pequena brisa para nos mostrar o pouco do que devemos ver. O silêncio é cortado pelos motores dos carros nas ruas, sirenes de ambulâncias e aceleradas de motos.
É quase sete da noite mas ainda está claro lá fora. Aqui dentro a luz permanece acesa na tentativa de iluminar o pequeno cômodo silencioso. Naturalmente o fim de domingo chega melancólico pela expectativa do início da semana. Não que isso seja uma reclamação, mas uma constatação pessimista da realidade.
Sim, estou reclamando. Mais uma vez entre tantas outras vezes, estou reclamando. Na segunda-feira reclamo do início da semana, do sono, da noite mal dormida. Na terça, falo da chuva, da distância quilométrica para o fim de semana. Na quarta, vocifero contra a eterna semana do mês que nunca acaba. Na quinta, o calor está insuportável e na sexta-feira o dia não acaba mais.
Pobre miséria a nossa de não enxergar a beleza dos dias da semana. É como se a cada dia esquecêssemos da maravilha que pode ser a vida e do quanto perdemos com a amargura. Não fomos criados para o anonimato de uma vida pobre, rancorosa, insossa e escura.
O homem, meus amigos, não foi feito para o fracasso da morte, mas para o heroísmo da vida. Sal da terra e luz do mundo. Assim como um candeeiro apagado não completa sua nobre vocação, um homem miserável não consegue iluminar o seu entorno.
O desânimo às vezes é inevitável, mas sempre temos a oportunidade de passarmos por ele. É como a história do limão e da limonada. Muitas vezes temos que passar por dificuldades para nos darmos conta de nossas facilidades. Só sentimos falta do candeeiro quando ele deixa de iluminar.
Ânimo, senhores!
Thailan de Pauli Jaros
05FEV2023