sábado, 28 de maio de 2022

De corpo e alma


Os dias já demoram a amanhecer. O sol, assim como este cronista, tem preguiça de levantar cedo. O frio já se manifestou no sul do Brasil e só nos faz esperar por um longo e rigoroso inverno nos próximos meses. Não vou entrar nas intermináveis discussões de preferência das estações. Uns são partidários do inverno, outros do verão e uma galera escolhe a primavera ou o outono.

Eu, que não sei de nada, espero as estações quieto no meu canto reclamando sozinho de cada uma delas. O calor é insuportável, o frio é de rachar, o outono é seco e na primavera florescem as alergias. Certo é o leitor que está achando esse texto pessimista demais.

É que quando comecei a escrever não pensei em um tema específico e o bar da quadra ao lado entoava um pagode que tem sido frequente nas tardes de sábados. Pensei em reclamar da música, mas o clima não saiu da minha cabeça.

Como não tenho uma estação preferida, sigo tentando encontrar pontos positivos em cada uma delas. Já existe partidarismo demais, não é?

Não que eu esteja em cima do muro, é só uma indecisão que me faz refletir a necessidade de um posicionamento nas rodas de conversa ou discussões de bar. Se é que ainda existam discussões de bar porque as músicas intermináveis e ensurdencedoras impedem a sadia conversa entre conhecidos. 

Antes que essa tentativa de crônica comece a ficar confusa tenho que elogiar o belíssimo espetáculo que o sol tem feito todos os dias nessa reta final de outono. Quando chega e quando vai apresenta luzes que nos obrigam a olhar para o alto. Ta aí uma coisa que devemos fazer mais: olhar para o alto, querer as coisas do alto.

Não como um sonho, mas a realidade palpável que foge do horizontal e busca incessantemente o vertical. Afinal, amigos, somos mais alma que corpo. Muitas vezes dizemos que somos de corpo e alma e esquecemos da alma diante do egoísmo do dia-a-dia.

A alma é eterna e deve ser cultivada, cuidada com carinho para que viva. De nada adianta o prazer do corpo se aquilo mata a alma, de nada adianta a saúde do corpo sem a saúde da alma. Ninguém enxerga a lua na escuridão.

A luz que cega os olhos reflete em uma sombra que me segue nas calçadas da cidade, mas até a sombra é boa porque comprova a existência da luz. 

A sombra só existe enquanto ainda há luz. No entanto, para enxergarmos a sombra temos que olhar para traz e assim deixamos de ver a luz. São as nossas escolhas que nos guiam para onde temos que ir. Só depende de nós. 

Que pena, o texto ficou confuso como eu não queria. Talvez da próxima eu consiga esclarecer alguma coisa, enquanto as palavras ainda nos forem permitidas.


Viva a Língua Portuguesa!

Thailan de Pauli Jaros

28MAI2022




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