domingo, 18 de setembro de 2022

Hora do mergulho


Já devo ter repetido várias vezes por aqui que o silêncio é a melhor resposta diante do ruído. O silêncio nos permite olharmos para dentro de nossa própria alma para tentar enxergar aquilo porquê fomos criados. É certo que o barulho ensurdecedor pode até fazer sentido na superfície, mas, complexos como somos, não passa de uma casca que esconde os medos, as angústias e a finitude daquilo que poderia (e deveria) ser infinito. 

Nos dias atuais a orla da praia fica lotada de gente durante as festas de fim de ano. Cada guarda-sol armado na areia tem uma caixa de som com uma "música" que se mistura com outra, e com outra, e com outra...

No raso ainda ouvimos o som, mas se mergulharmos para águas mais profundas ele vai desaparecendo e tudo o que ouvimos é o nosso próprio movimento e as ondas no mar quebrando em algum lugar perto dali. Durante aquele momento de silêncio quase podemos ouvir aquilo que os sons externos nos impedem de escutar. 

Se alguém é corajoso o suficiente para abrir os olhos debaixo d'água, vai conseguir enxergar os vultos da areia no fundo do mar e pequenos peixes assustados com a presença humana. A vida marítima acontecendo sem pedir licença, sem fazer questão de acontecer. 

Mas o retorno à superfície se torna inevitável para tomar um ar, um novo fôlego. Um mergulho muitas vezes sufoca, nos mostra que somos reais. E assim, nesse pequeno detalhe, nesse pequeno instante nos damos conta de que a profundidade pode nos levar para Aquilo a que verdadeiramente devemos nos voltar. Somos seres humanos, afinal. 

Nossa humanidade nos faz inteligentes para entendermos que só podemos viver se tivermos uma finalidade. Um ser humano não pode viver sem objetivo, sem algo para servir. Talvez isso possa explicar o crescente número de ansiosos e depressivos, mas não é meu papel diagnosticar os males do século. 

É que nos perdemos em nossas desordens e achamos que somos livres quando na verdade não entendemos nada da vida. Tal qual uma biruta, dançamos conforme o vento e isso nos faz egoístas, nos faz cegos, nos faz intolerantes. 

A vida na superfície é barulhenta, é surda, é fugaz. A hora do mergulho, no entanto, chega para todos e faz com que o silêncio vença, assim como a vida eterna. O mergulho sufoca os que não querem se  aprofundar na ordem da vida, ordena as desordens e nos faz descobrir que há muito mais entre o céu e a terra.  

Calorosos abraços

Thailan de Pauli Jaros

18SET2022


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