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| Foto do compadre Allyson Santos |
Eu andava distraído pelos grandes corredores do Santuário de Aparecida quando uma moça me abordou pedindo para eu tirar uma foto de sua família. Ela me entregou o celular já com a câmera aberta e eu, com o maior prazer, procurei o melhor ângulo, a melhor luz e o melhor momento. Mais tarde, eu já estava em outro lugar, um cara me pediu a mesma coisa, que fiz com a mesma vontade.
Coisa louca os dois confiarem seus celulares a um estranho em tempos de roubos e furtos a qualquer momento. Costumam dizer que não se deve confiar em ninguém, mas eles confiaram em mim. Tanto para entregar-me o celular, quanto para registrar um momento, talvez, importante de suas vidas.
Mas não era isso que eu queria falar. Quando estamos em lugares públicos, com grande número de pessoas, é normal vermos as câmeras ou os celulares em pleno funcionamento. Todos querem eternizar aquele momento para sempre. É o primeiro banho de mar do filho, o passeio no parque com a família, a visita ao Santuário para agradecer o ano que passou.
Em nossas fotos sempre aparece algum estranho que estava no mesmo lugar, ao fundo, rindo, chorando, fazendo careta. Quase sempre o estranho se sai melhor na foto do que a gente mesmo. E como o mundo é pequeno você pode ter a chance de encontrar aquela pessoa anos mais tarde. Você pode casar com aquela pessoa sem nem lembrar. Que importância nós damos para os estranhos nas nossas fotos?
E nem deveríamos. A prioridade da fotografia é o teu filho tomando o primeiro banho de mar e não o surfista caindo da prancha na praia, é teu par envolto ao abraço de amor no parque e não a criança comprando sorvete, é o teu rosto parado na esquina mostrando a igreja do outro lado da rua numa cuidadosa sélfie e não o cara que aparece caminhando na calçada. As prioridades são tantas e tantas são as possibilidades.
Mas o leitor deve concordar que não temos escolha e não temos motivos para escolher. Nossos filhos sempre serão mais importantes, nossos pares sempre serão o centro das fotos e não há com o que se importar a não ser nesses detalhes.
Temos que aprender quais são nossas prioridades. Não adianta tentar agarrar o mundo e esquecer de abraçar quem se importa com você. Ao tentar se importar com todo mundo nos tornamos o estranho na nossa própria foto. E ninguém quer ser coadjuvante de sua própria vida.
É hora de amadurecermos e só assim seremos capazes de descartar coisas não importantes. Coisa louca ao pensar que sempre seremos o estranho na foto de alguém.
(*)
P.s. Ao lançar um novo disco de inéditas, Humberto Gessinger nos brindou com a seguinte frase: "Mas o sonho de mudar o mundo, ao menos muda o sonhador".
Abraços!
Thailan de Pauli Jaros
15OUT2019

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