sábado, 11 de janeiro de 2020

O Eterno Retorno


Alguém uma vez disse que a vida nada mais é, do que um eterno retorno. Tudo aquilo que você já viveu tende a se repetir em um ciclo infinito. Em outras palavras, a gente respira sempre a mesma vida, com todas as suas mazelas, torturas e incoerências. A morte não é um fim. Trata-se apenas de mais um passo em direção aos momentos mais grandiosos ou medíocres de nossa existência. 

Felizes aqueles que encontram nos detalhes vida, a magia necessária para seguir em frente. Afinal, maior prova de amor não existe. Aceitar que a vida será sempre a mesma não deve ser um fardo, e sim, a mais sublime das plenitudes. 

A teoria supõe que há um número finito de maneiras em que os acontecimentos podem ser arranjados no universo, logo, eles tendem a se repetir após vastas eras de tempo. Os ciclos solar e lunar se sincronizam a cada 33 anos, por exemplo. Exatos 38 anos depois, a história se repetiu.

Se viver infinitamente as mesmas coisas significasse contemplar as estrelas, a calmaria do oceano, o amor verdadeiro e os três minutos finais daquele jogo do dia 23 de novembro, eu aceitaria para sempre o meu destino.



No mesmo dia, em novembro de 1981, um esquadrão liderado por um ser divino conquistava a América. Naquele dia, um garoto sentava-se em frente a TV. Com os olhos atentos, ele observava as passadas largas de Adílio, a técnica indefectível de Junior e os toques de classe de uma certa entidade. Quando Deus anotou aqueles os dois gols no Estádio Centenário, em Montevidéu, o universo encontrava novamente seu estado de equilíbrio. O rubro-negrismo havia se reencontrado.

O menino agora já é homem e conhece de cor o roteiro. Ele estava sentado ao lado do filho quando o garoto com nome de anjo fez com que a energia do cosmos voltasse a fluir. Entre lágrimas e sorrisos os dois se abraçaram. Na pausa do choro incessante do mais novo, o pai fala:

“Agora você entende, meu filho. É por isso que sou Flamengo”.



Neste instante, o filho se lembrou que cada balançar de redes comemorado até ali. Lembrou-se dos milagres de Diego, da entrega de Rodrigo, da classe de Pablo, da raça de Rafael, da inteligência de Filipe, do controle de Gerson, da superação de Willian, dos dribles de Everton, da maestria de Giorgian, da liderança de Diego Ribas, do poder decisivo de Bruno e dos gols de Gabigol.

Tudo estava bem de novo, e assim estará por toda a eternidade. Um ciclo infinito. Um eterno retorno.

P.s: Fotos meramente ilustrativas.

Allyson Santos
11NOV2020

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