A borboleta passa tranquila pelas árvores, pousa numa flor e aproveita o dia ensolarado de um domingo. O dia é quente demais, quase insuportável para um ser humano. As nuvens permanecem no mesmo lugar porque não há vento suficiente para fazê-las movimentar. Tudo parece estar parado, como em um processo de stand-by. O único movimento são as asas da borboleta, que batem seguras, na tranquilidade do dia de domingo.
No outro lado da cidade o movimento é frenético. As ambulâncias não param, as sirenes são ouvidas através dos ecos dos arranha-céus. Os ruídos são desesperadores e a ideia do caos faz qualquer um sucumbir ao medo. Medo de um fim que, apesar de esperado, não é conhecido. Medo de uma morte que, por falta de fé, acabaria com a existência. Medo do sofrimento que, pela falta de amor, seria insuportável.
Nesses nossos tempos de caos, de sentimento de guerra, de desolação, não podemos nos entregar ao desespero. A manutenção da esperança é crucial para lidarmos decentemente com os obstáculos da vida. A Vida, com vê maiúsculo, não pode ser negada em nenhuma hipótese e não há contrariedade, por pior que seja, que diminua a importância da realidade na nossa existência.
Portanto, pés no chão e olho na realidade são os pilares para seguirmos em frente, sempre procurando o que é do alto, sempre confiantes. Os tempos não são os melhores, mas ninguém falou que seriam. Talvez nunca tenham sido. Aguentar firme é mostrar força, é mostrar caridade.
O desespero atual só pode ser convertido em serviço. Cuide de quem está a sua volta, ajude o próximo que está sofrendo, esteja disponível para atravessar as tribulações dos outros. Ninguém está sozinho e é extremamente necessário olhar para os outros e ajudar no que for possível. É só quando esquecemos de nossos sofrimentos tentando amenizar o sofrimento de nosso próximo é que nos aproximamos de nosso principal objetivo: servir.
Não há razão pra desespero.
15MAR2021
Thailan de Pauli Jaros

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