Esgotaram-se as forças. Chegou o fim do caminho e a luz se apagou no início do túnel. A sensibilidade à flor da pele arranca os nervos e a constante preocupação beira ao desespero. Não só beira ao desespero, mas inunda a consciência em um mar de negatividade onde a luz talvez nunca possa chegar. Talvez.
No entanto, o momento é oportuno, o tempo é favorável e a safra promete. A uva que aguentou a tempestade pode se transformar no mais delicioso vinho. O fruto que madurou durante as adversidades poderá ser colhido e valerá muito mais.
Sem ressentimentos ou rancor, sem inventar problemas totalmente suportáveis. O fardo que carregamos pode não ser nada comparado ao peso do mundo nas costas do esquecido. Mas olhamos pelo ângulo errado e tentamos, muitas vezes, carregar uma cruz pesada demais sozinhos. Esquecemos que não somos nada e nunca suportaremos o pesado fardo antes de aceitarmos ajuda.
Não podemos fingir que o fardo não existe. Ele existe e se tornará cada vez mais pesado se continuarmos com nossos vícios, nossas mesquinharias, nossos problemas. O fardo só se torna leve para aqueles que o aceitam e aceitam companhia.
É quando largamos os vícios, as mesquinharias e os problemas que conseguimos ver a beleza nesse mundo louco em que vivemos. Sim, esgotaram-se as forças mas surpreendentemente a cruz pareceu mais leve porque pedimos auxílio e apreciamos o bom, o belo e o verdadeiro.
Sigamos. Hoje, mais do que nunca, somos chamados aos pequenos sacrifícios, ao desapego do que certamente nos faz mal. Todo o sofrimento humano não se compara com a cruz. Afinal, é buscando a cruz que encontramos o fim do túnel. É assim que a luz entra na escuridão.
Sigamos
Thailan de Pauli Jaros
30MAR2021

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