terça-feira, 20 de abril de 2021

O fim silencioso de um fone de ouvido

Apenas um fio separava meu fone de ouvido do descarte. A pequena borracha que fica entre o cabo e o conector do celular estava arrebentando aos poucos e o fio que levava as músicas para os meus ouvidos já aparecia. Ele era forte, aquele único fio aguentou dias e mais dias e provavelmente aguentaria mais não fosse a minha pressa em tentar arrumá-lo para não precisar comprar outro equipamento.

Ultimamente não tenho ouvido muita música, ouço alguns podcasts e vejo alguns vídeos nas redes sociais, mas música mesmo só ouço sem o fone e enquanto faço alguma tarefa operacional, como lavar a louça. Se quero me concentrar em algo prefiro o silêncio. Ando preferindo o silêncio para organizar os pensamentos.

Atualmente fone de ouvido é um item essencial, principalmente porque muita gente chama os barulhos atuais de música. No entanto, quem mais precisaria usá-los não os acha necessários e então aguentamos as repetições de silabas, as letras mal lapidadas e um som que ensurdece. Os mais radicais ainda tentam explicar, afirmando que "é bom pra dançar".

Mas o meu papel não é reclamar dos sons atuais ou daquilo que alguns chamam de música popular. Já reclamei demais de muita coisa, hoje só me afasto e fico em silêncio. Ouvir o silêncio é sempre o melhor caminho.

Meu fone foi guerreiro, comprei por um preço bem em conta numa dessas lojas no centro da cidade. Serviu sua vocação até o fim, mas teve sua vida ceifada por mãos humanas, ação inaceitável de todas as maneiras. Era a tarde do domingo, eu achei a super bonder na geladeira e resolvi colar a borracha que encobre o fio e que havia partido. A princípio deu tudo certo, mas o fone não funcionou mais.

Moral da história, passe uma fita adesiva mas nunca tente colar um fone com super bonder. No meu descuido tecnológico esqueci que qualquer intervenção nessas partículas podem comprometer o bom funcionamento da ferramenta. Nem parece que sou da geração que nasceu com as novas tecnologias.

Por fora ele ficou perfeito, parece até novo. Mas por dentro não presta para aquilo a que foi fabricado. Um crime contra a vocação.

Boa semana

20ABR2021

Thailan de Pauli Jaros

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