terça-feira, 9 de novembro de 2021

Agora e a hora da morte


O dicionário on-line me diz que "tragédia" pode ser caracterizada como um acontecimento funesto, terrível, uma desgraça. O dicionário também fala das tragédias teatrais gregas, dos personagens heroicos que têm o objetivo de suscitar o terror e a piedade.

No popular, as tragédias acontecem todos os dias e em todos os lugares. Tragédia é perder um pai após um assalto na esquina. Tragédia pode ser a morte de um filho, contrariando as leis da própria natureza. Tragédia são as enchentes, os temporais e os incêndios que levam destruição onde passam. Tragédia é o avião que cai com o artista do momento, a criança que não chega nem a nascer.

Mas tudo isso é permitido para que saibamos onde estamos e para onde vamos. É permitido para pararmos por um minuto e refletir nossos atos e nossas omissões. Tantas pessoas não chegam ao fim do dia, tantas não acordam para tomar café.

Mas é que temos tantas preocupações, tantos problemas, tantas murmurações. A todo momento estamos preocupados com o que iremos fazer, ocupamos nossas vidas com problemas mesquinhos e passamos dias inteiros reclamando dos imprevistos, de coisas ou de pessoas.

Estamos preocupados com o trabalho, com a saúde, com as contas que temos que pagar. Nos preocupamos com tudo, menos com aquilo que importa verdadeiramente. Simplesmente nos esquecemos que só existem dois momentos na vida: o agora e a hora de nossa morte.

Como estamos vivento neste momento? O que fazemos pelos outros? Estamos preparados para a morte?

Dia após dia vamos vivendo, cheio de preocupações terrenas, prazeres momentâneos, festas extravagantes, com o coração aflito sem nem ao menos saber o motivo. Temos medo de doenças, nos preocupamos com nossa segurança e com nossas carreiras.

Só que esse mundo passa e os problemas terrenos não importarão quando dermos de cara com a morte. Nesse momento- pelo qual todos passaremos- quantos de nós estaremos prontos? Por que temos medo de doenças e não tememos perder o céu? E a salvação de nossa alma não interessa?

No fim das contas não é melhor queimar do que apagar-se aos poucos. É peciso vigilância, é preciso consumir-se por inteiro lentamente no serviço aos outros. É preciso estar atento com as necessidades do próximo. Só quando gastamos todo o nosso tempo pensando em ajudar os outros, esquecemos nossas próprias mesquinharias, nossa própria miséria, nossas próprias tragédias.

Não estamos com essa bola toda para julgar os demais, o que aquele um pensa, o que o outro faz. Nossas faltas só podem ser perdoadas pela misericórdia. Que possamos medir com a mesma régua.

Estejamos vigilantes a todo momento e não deixemos o exame de consciência para a hora de nossa morte. Talvez seja tarde demais! Vamos nos preocupar com Aquele que realmente importa!


Thailan de Pauli Jaros

09NOV2021

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