terça-feira, 5 de março de 2019

Apoteose


(*)

A Solidão pode ser o sentimento de estar sozinho em um mundo com milhões de pessoas sós. A Solidão pode ser o mar quando o inverno chega e a neblina toma conta da praia. A Solidão pode estar no andante com fones, ouvindo sozinho o seu coração.

A Solidão pode ser a praia quando está vazia. Mas também quando está cheia. A Solidão pode ser a chuva quando esperada pelo agricultor, quando odiada pelo trabalhador, quando vira água e volta para lugar nenhum.

A Solidão pode ser a janela do ônibus que já viu muita mágoa e muita dor, mas continua ali, sempre pronta para a  próxima. A Solidão pode estar no momento da festa em que tudo fica em câmera lenta e se faz a pergunta: isso é real?

A Solidão é o pensamento que não chega nos ouvidos de quem se nega a pensar. A Solidão às vezes é necessária, assim, com "S" maiúsculo pra ter tom de importância. Importância no mundo onde palavras são meras palavras.

A Solidão não pode ser coletiva, mas existem vários loucos que não conhecem nem seus próprios amigos. Solidão é o estado pensativo. É a grama do vizinho, sempre a melhor opção...

Há quem diga que a Solidão é o sofrimento. Mas às vezes é o lamento de quem não encontrou a perfeição. A solidão pode ser a decepção, pode ser inesperada, ou só imaginação.

A Solidão é a saudade da partida, é a flor no meio da calçada, é alguém que está perdido porque o mundo a deixou.

A Solidão é qualquer clichê da luz acesa, e quando a luz apaga a solidão não larga mão. Solidão é a espera de quem não volta mais. A espera do amigo que você nunca abraçou.

A Solidão é o folião no carnaval, a passista esquecida e o sambista na multidão.

A solidão é a apoteose da alegria, quando a peça chega ao fim sem falar em solidão...

Bom carnaval!
Thailan de Pauli Jaros
5MAR2019


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