sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Aquele abraço



Diz o ditado que se você quiser contar uma piada para Deus, conte a Ele seus planos. E foi mais ou menos assim que criamos este blog. Há mais de um ano planejamos fugir do óbvio e do objetivismo e escrever algo leve e de boa vontade. Mas o dia-a-dia monótono e rotineiro nos impedia de dar um passo a frente.

Foi então que resolvemos incorporar o "algo leve e de boa vontade" ao nosso dia-a-dia, à nossa rotina. Pois é, cá estamos nós, na esquina. Enquanto Deus se diverte com nossos planos, continuamos em frente e tentando pôr em prática tudo o que nosso cérebro (ou o que restou dele) imaginou nos últimos meses.

Dispensamos apresentações. Se o leitor quiser nos acompanhar em mais essa esquina (não a da canção), fique à vontade.

(*)

As esquinas são boas metáforas para a vida. Com certeza centenas de cronistas e poetas (talvez até engenheiros e arquitetos) já escreveram devaneios sobre os caminhos que podem nos levar aos mesmos lugares. Caminhos desconhecidos que vão parar em lugar nenhum. Na ponta da navalha, no fio de seda ou no cordão umbilical, sempre há um caminho. O fim da linha é o início de uma nova linha.

Alguns caminhos nos afastam de pessoas que caminhavam todos os dias com a gente, outros provocam encontros inesperados. Outros simplesmente nos levam aos becos sem saída. Quase nunca temos saída, não é?

Mas são nesses becos sem saída que aprendemos a voltar atrás, dar o braço a torcer. Às vezes é preciso. É necessário.

(*)

Na tentativa de trazer algo leve para minha escrita, só me vem na cabeça as tragédias que nos assolam no início deste ano que, pelo jeito, vai ser longo. Tentativa e erro - quase- sempre termina em erro.

Em meio ao lamaçal e ao fogo nós estamos afim de sobreviver. Em meio ao caos do dia-a-dia (e de nossas cabeças) estamos aqui, na mesma esquina. Mas o que podemos fazer quando somos confrontados com a realidade triste das mortes? A vida real não cabe em uma crônica e não há palavras para descrever a dor de famílias que perdem filhos, pais, netos, tios e primos. Não há palavras para o que não pode ser dito, só sentido.

Que Deus abençoe e receba os jovens que agora vão fazer o Flamengo campeão no céu. E que as famílias, hoje desoladas, encontrem algo para se agarrar nessa imensa tempestade. Os sonhos nunca morrem.

E o sentimento continua lindo, assim como o Rio de Janeiro, Minas Gerais, fevereiro, o Brasil. Tentativa e erro às vezes termina em acerto. Prefiro ver o copo meio cheio.

Alô torcida do Flamengo, aquele abraço!
Todo o povo brasileiro, aquele abraço!
Thailan de Pauli Jaros
8FEV2019

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