No início de 2015, quando as férias se estenderam por causa da greve dos professores, eu, meu irmão e meu primo passamos a dormir na casa da nossa bisavó, recém viúva. Num desses dias, apareceu um gato muito magro, parecia que não comia há séculos, parecia abandonado. O bichano miava sem parar em cima do telhado, conseguimos tirá-lo de lá, demos um pouco de comida e o chamamos de Francisco, na brincadeira. Mas não é que o nome pegou?!
Francisco se sentiu em casa. Francisco virou Chico para os mais íntimos. Engordou e até fez amizade com a gata da casa, a Vida!
Mas Chico era um gato de rua, não civilizado. Logo que pegou confiança achou que o certo a fazer era molhar todos os cantos da casa. Por isso foi apelidado de Mijão! Qual seria o motivo? Dali em diante, Francisco não poderia entrar em casa...
Chico sumia e voltava, sempre que se batia um prato de comida lá estava ele comendo. Sempre gordo e sempre morto de fome. Um gato preto bem bonito. Então nossa bisavó "adotou" quatro novos gatinhos e o Francisco tornou-se o tiozão. Sabe aquele tio que leva a gente pro mal caminho? Esse era o Francisco...
Mas essa história não tem um final feliz. Na verdade é um final meio trágico. Numa manhã recebo uma mensagem no Whatsapp com a informação de que o Francisco tinha morrido, mas não era certeza. Parecia que tinham achado um gato morto, mas ninguém sabia ao certo se era o velho Chico. Mais tarde, no mesmo dia, chegamos na casa da vó, já tinham reconhecido o corpo do suposto gato-falecido e confirmado: era mesmo o Francisco.
No fim das contas, qual foi a causa mortis? Um fogão de lenha caiu na cabeça do gato!! Não numa forma muito convencional de morrer, Francisco foi ímpar até em sua morte!!! Grande Francisco!
Texto escrito na primavera de 2017
(*)
Lembrei do Francisco enquanto pensava sobre a vida. A vida é um sopro. Não sabemos o que vai acontecer no minuto seguinte. A voz no rádio me lembra que em 20 minutos tudo pode mudar. Mas apesar de tudo estamos vivendo, sempre levantando, sacudindo a poeira e dando a volta por cima.
(*)
Há uma semana um acidente de helicóptero matava um dos grandes jornalistas brasileiros. Confesso que não o acompanhava, mas o conheci de perto nas andanças da vida. Ricardo Boechat me lembrou que jornalismo não é militância. Boechat era jornalista. Boechat fazia jornalismo. Boechat era necessário. Tive a honra de assistir a uma palestra dele, em 2017, para um público de agricultores. Ele falava sobre o futuro do Brasil e o momento que enfrentávamos. Eu discordava de quase tudo, mas até nisso ele era necessário. Tentei entrevistá-lo nesse dia e, lembro muito bem, foi a primeira vez que recebi um "não" na tentativa de falar com alguma fonte. O show tem que continuar! Nós aqui e ele lá!
Abraços
Thailan de Pauli Jaros
17FEV2019

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