Dizem que só escrevemos em momentos de tristeza. Esquentamos
o chá, olhamos a chuva e observamos as lágrimas escorrerem no ritmo do teclado.
Tudo na esperança de transferir a nossa dor para uma folha sem tinta. Eu não
queria escrever tanto.
(*)
As tragédias, o alvará, as fiscalizações, o acidente. Assim
como a dor, descaso e acaso viraram reféns das crônicas, das notícias, das
cartas de amor e de adeus. Os sonhos infantis que antes viravam pauta, hoje descrevem lápides. As famílias que antes davam abrigo estão sós. Pessoas influentes que
inspiraram gerações nos abandonaram de forma tão repentina.
Tudo que acontece neste início de ano não cabe no papel,
e muito menos no coração. Temos muito que aprender. Enquanto isso não
acontece, às vezes é bom esquentar um chá e deixar a tristeza guiar os
parágrafos. Pode ser um texto qualquer como este que digito, ou algo que inspire as pessoas a
tentar fazer um país diferente.
(*)
Uma
pena, ao digitar, ter de tocar sempre na mesma tecla. Eu não queria escrever
tanto como te escrevo agora e como se tem feito necessário escrever. De certa
forma me acalma e me faz ver a bondade no abraço, a sinceridade no olhar e a
luz na próxima esquina.
Escrevo
para Brumadinho, para as vítimas das chuvas no Rio de Janeiro, para os jovens
no Ninho do Urubu. Hoje, especialmente, para Ricardo Boechat, que inspirou tanta
gente a escrever e nos fez crer no bom jornalismo.
"Quantas vidas valem o tesouro nacional?
Quantas vidas cabem na foto do jornal?
Às sete da manhã quanto vale a vida
Depois da meia noite antes de abrir o sinal
São segredos que a gente não conta
e faz de conta que não quer nem saber
Quem souber fale agora ou cale-se pra sempre"
Eng. Hawaii - Quanto vale a vida?
Allyson Santos
11FEV2019
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