Queria, devia, podia. São alguns dos verbos que definem um pouco do que me tornei, ou sempre fui. O indicativo dos meus pretéritos imperfeitos diz muito sobre as decepções dos dias nublados e sobre as memórias daqueles amigos que já não me cumprimentam na rua.
A
cada esquina um rosto familiar e um olhar distante, fingindo distração. Eu não queria
que terminasse assim, mas parece que fiz de tudo para acontecer. Os bons
momentos atravessam a rua comigo para evitar aquele encontro desconfortável e
sem assunto. Bem lá no fundo, não queria dizer nada. Só queria o abraço de
amigo, aquele que nenhum de nós esqueceu.
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Eu
devia ter ficado com você ontem. Acho que penso demais em mim às vezes, mas não
significa que eu me esqueça da gente. Você precisava de mim. Existem coisas que
valem mais do que lembranças da faculdade. Vai ver é isso que falta para muita
gente nos dias de hoje, inclusive para mim. Eu devia ter cuidado de você,
afinal, como uma menina me disse hoje mais cedo, o amor é feito de pequenos
sacrifícios. São tantas as coisas que sacrificaria, ou crucificaria, dentro de
mim.
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Podia
ter cumprido minhas promessas, aquelas que fiz olhando o reflexo embaçado do
espelho depois de uma noite mal dormida. A água da pia que escorre na face
coloca em xeque alguns objetivos incompletos. Eu devia escrever mais, ler mais,
amar mais, correr mais. Eu queria comer menos, me esquecer menos, ignorar
menos, correr menos. Meus pretéritos imperfeitos são o indicativo daquilo que
sou hoje, daquilo que perdi e daquilo que sempre fui.
Allyson Santos 16FEV19
Allyson Santos 16FEV19
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