sábado, 16 de fevereiro de 2019

Pretérito imperfeito


         
         Queria, devia, podia. São alguns dos verbos que definem um pouco do que me tornei, ou sempre fui. O indicativo dos meus pretéritos imperfeitos diz muito sobre as decepções dos dias nublados e sobre as memórias daqueles amigos que já não me cumprimentam na rua.

A cada esquina um rosto familiar e um olhar distante, fingindo distração. Eu não queria que terminasse assim, mas parece que fiz de tudo para acontecer. Os bons momentos atravessam a rua comigo para evitar aquele encontro desconfortável e sem assunto. Bem lá no fundo, não queria dizer nada. Só queria o abraço de amigo, aquele que nenhum de nós esqueceu.

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Eu devia ter ficado com você ontem. Acho que penso demais em mim às vezes, mas não significa que eu me esqueça da gente. Você precisava de mim. Existem coisas que valem mais do que lembranças da faculdade. Vai ver é isso que falta para muita gente nos dias de hoje, inclusive para mim. Eu devia ter cuidado de você, afinal, como uma menina me disse hoje mais cedo, o amor é feito de pequenos sacrifícios. São tantas as coisas que sacrificaria, ou crucificaria, dentro de mim.

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Podia ter cumprido minhas promessas, aquelas que fiz olhando o reflexo embaçado do espelho depois de uma noite mal dormida. A água da pia que escorre na face coloca em xeque alguns objetivos incompletos. Eu devia escrever mais, ler mais, amar mais, correr mais. Eu queria comer menos, me esquecer menos, ignorar menos, correr menos. Meus pretéritos imperfeitos são o indicativo daquilo que sou hoje, daquilo que perdi e daquilo que sempre fui. 

Allyson Santos 16FEV19


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