terça-feira, 9 de abril de 2019

Andança



Por aí, com um samba na cabeça. Nas curvas da viola, a esquina. O choro do cavaco que ecoa no peito, passa em descompasso com o coração. Aí foi que o barraco desabou. A verdade é que caminhei à toa, mas não porque a pauta caiu, e sim porque sambava pelo quebradiço das calçadas. Desfilava por aí sem pensar no que aconteceu. Nada é meu, nem o pensamento.

Vagando em verso, eu vim em busca de uma semana sem tantas estrofes. Uma melodia suave bastaria para esquecer a falta que você faz e todas as coisas que meu ego não quis resolver. Falta gente de verdade na gente. Se faltava dentro de mim, o samba preencheu por alguns instantes naquele anoitecer. Ao luar descansa o meu caminhar. Da lua cheia, uma saudade imensa.

É do jeito que a vida quer. É desse jeito. Caminhando aprendi que não dá pra voltar atrás, a paisagem não é a mesma. As pessoas não são as mesmas. É certo que algumas coisas eu posso e preciso controlar. A impressão que fica é que, assim como o samba, permaneço singelo e despreocupado. O samba mais alegre por vezes é composto às lágrimas. Se perde gente e as que ficam vão embora. É difícil ser assim, sei lá. Meio passional por dentro.

Ninguém sabe a mágoa que trago no peito. Quem me vê sorrindo desse jeito nem sequer sabe da minha solidão. É que meu samba me ajuda na vida. Minha dor vai passando, esquecida. Vou vivendo essa vida, do jeito que ela me levar.

Se a gente nota que uma só nota já nos esgota, o show perde a razão. Mas iremos achar o tom, um acorde com lindo som e fazer com que fique bom outra vez, o nosso cantar. A gente vai ser feliz. Olha nós outra vez no ar. O show tem que continuar!

O itálico fala por si só. Não deixem o samba morrer!

Allyson Santos
09ABR19

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