Foto: Allyson Santos
Este não é um texto melancólico,
muitos menos aqueles panfletos de autoajuda que você joga fora na primeira
esquina esburacada que atravessa. Não tem nada a ver com aqueles dizeres anestésicos
de rede social que romantizam o fracasso, o sofrimento e a inveja. A crônica, assim como tudo aquilo que existe,
é uma ideia. A ideologia, um amor desperdiçado, um caso perdido, uma mentira
qualquer. Por quantas você morreria?
Eu
tinha 8 anos quando comecei a lutar judô na escola. Demorei para crescer e meu
condicionamento físico era, no mínimo, questionável. Era mais lembrado pelos
meus dentes da frente, levemente maiores que os do restante. Não demorou para me
apelidarem de “Esquilo”. Mesmo roendo o tatame de vez em sempre, cheguei até a
faixa amarela. Essa parte não é mentira, acredite.
Depois
de mais de uma década, me obriguei a voltar. Não por vaidade, nem saúde, mas por uma ideia.
Uma ideia que me manteve vivo por muito tempo e no próprio tempo se perdeu.
Pessoas, egoísmos, interesses e estresses cotidianos. Na tentativa de subir sozinho pela escada, parecia burrice querer encontrar
um corrimão. Nada pode ser maior que a ideia.
Me afastei de
tudo para colocar a vida em ordem, para me livrar da concorrência desleal, dos gritos por atenção, da
falsidade que só um conjunto de egos inflados é capaz de disseminar. Eu precisava de um ponto de apoio, mesmo que
pequeno, para reaprender a andar. Eu precisava acreditar em algo de novo. Precisava de uma ideia. Ela veio meio do nada, meio fraca, mas suficiente para me preencher de alguma coisa. Me fez sentir falta de algo que eu já tinha deixado para trás, mas que sempre esteve ali.
Em resumo, tomei uma surra no primeiro treino de judô. Hoje tem de novo. Morrer pela ideia às vezes é necessário. Não por todas, mas por aquelas que vale a pena se viver. Não faça por você. Não faça pelos outros. Não faça por ódio. Não faça por rancor. Faça pela ideia. No fim da passarela é isso que vai importar.
Allyson Santos
07NOV2019

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