A
distância entre o portão do estádio e a baliza pode durar alguns segundos ou
uma vida toda. Basta um leve sopro de vento ou uma simples garoa fina para que
o trajeto dure uma eternidade, ou talvez nunca termine. Afinal, é uma missão
ingrata evitar ou provocar aquilo que muda diretamente o rumo de toda
uma sociedade.
Um
grande escritor uma vez disse que “quando certo time vence, há mais amor nos
morros, mais doçura nos lares, a vida canta, o homem trabalha mais e melhor, os
filhos ganham presentes, há beijos nas praças e nos jardins, porque a alma está
em paz, está feliz”. Deve ser uma responsabilidade imensa garantir que tal
raciocínio se concretize e uma dor insuportável ter de interrompê-lo, ou não
ser capaz disso.
Treinamentos
incessantes para se tornar refém do acaso são apenas detalhes perto da solidão
que só os frios postes brancos proporcionam. Além da crueldade, é trabalho para
um só. Quando ocorrem acidentes de percurso, não há com quem dividir a culpa,
não há ombro para chorar. Ser goleiro é viver no contrapé, é espalmar a
tragédia, é fazer o possível (e o impossível) para o bem e para o mal.
Hoje
não é dia do goleiro. Aliás, nunca é o dia do goleiro (a não ser que a bola não
ultrapasse a última linha). Todo e qualquer movimento deve ser previamente
calculado. Por vezes a matemática deve fluir 0.6 segundos antes do fim. Por
vezes, ao fixar os olhos no atacante que acaricia a bola na marca da cal, não
há calculadora. Apesar de exercer função tão ingrata, o goleiro tem coração. O
maior dos corações, seja para suportar a dor, ou para aguentar a alegria de
quem salva o coração de tantos outros.
O
caminho é longo para quem pisa primeiro no gramado. A distância é infinita para
aqueles que tem coragem de percorrê-lo até o fim. Dedico este texto a todos os
meus amigos da baliza. O dia nunca é de vocês, mas isso somente porque os
deuses do esporte lhes proporcionaram a oportunidade (ou a punição) de criar
seu próprio destino. E jamais esqueçam que todo grande time começa por um grande goleiro!
Obrigado @DoRicoAoPobre por continuar alimentando meus sonhos e por me ensinar que o futebol, assim como a vida, não tem divisão!
Publicarei alguma coisa aqui toda vez que quinta virar sexta.
Allyson Santos
15FEV19



Bela reflexão.
ResponderExcluirGoleiro: uniforme difrente pode jogar com aa mãos, treinamento diferente. Sempre joguei para vencelos, com dribles e chutes para surpreender. Embate que me faz sempre se reinventar no futebol.
parabéns a todos que tem corragem de vestir essa camisa diferente é suportar a derrota mesmo quando vc n tem culpa alguma em nem um lance q vc tenha falhado, se vc não tivesse levado o gol nois ganhava. cruel essa profissão mas pra mim muito gratificante. parabéns mais uma vez a todos os goleiros corajosos .
ResponderExcluirParabéns pela Crônica Allyson (...) posição tida como "ingrata", pouco lembrada nas vitórias, porém,massacrada nas derrotas, mas, quem vive debaixo da baliza, sabe bem a necessidade em se manter física, técnica, tática e psicologicamente BEM...abraços de seu primo GOLEIRO
ResponderExcluirExcelente constatação do ponto de vista daquele que tem a ingrata missão de impedir o objetivo maior do esporte. Parabéns Allyson, texto irretocável. André
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