terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Orgulho e Preconceito


Pobre de nós. Chega a ser engraçado como dificultamos nossas vidas impondo regras desnecessárias, procurando mentiras improvisadas, fingindo ser alguém que nunca existiu e moldando nossa realidade através de achismos e desejos idiotas.

Orgulhosos e vaidosos que somos, não enxergamos além do nosso próprio nariz e acreditamos piamente no que dizem a nosso respeito e a respeito de outros. Na maioria das vezes não acreditamos nem no que os nossos próprios olhos estão vendo.

Tive essa pequena reflexão depois de assistir "Orgulho e Preconceito", filme baseado no romence de Jane Austen que retrata a vida da sociedade no século XIX. Mundo diferente do nosso, mas ao mesmo tempo tão parecido. Os tempos mudam, mas os erros e vícios continuam os mesmos.

Não cabe a mim contar a história do filme, mas escrever sobre impressões que tive em minha aventura cinematográfica. Além, é claro, de uma fotografia interessante, o que mais me chamou a atenção foram os intermináveis diálogos entre as personagens. Diálogos esses que eram recheados de tensão, doçura, competição e afeto.

Nossa, mas como misturar tensão com doçura? Competição e afeto? Não sei, só sei que enriqueceu o enredo e tornou a obra belíssima.

Os interesses pessoais tomam conta das personagens, Uma mãe que quer casar as filhas e filhas que querem achar um marido. Homens em busca de mulheres e os protagonistas difíceis de entender.

Isso nos faz lembrar de nossa própria realidade, quais são os nossos sonhos, o que imaginamos para o futuro e como vivemos o presente. Vejamos, é melhor conhecermos nossos próprios defeitos e nossa realidade antes de apontar o dedo para os outros.

E conhecer nossos vícios é também entender a realidade do próximo antes de julgar a partir de impressões ou até mesmo pela ótica dos outros. Assim que conhecemos outras pessoas e deixamos conhecer sem escaras nos olhos, não temos a necessidade de julgamento.

Mesmo assim, as emoções podem tomar conta e logo concretizamos uma opinião negativa sobre quem acabamos de conhecer, ou vimos na rua, ou ouvimos falar. E sabe o que é pior? Não fazemos nada para mudar essa opinião, agimos como se não fosse possível mudar, olhar por outro ângulo, aproximar a lupa.

A verdade é que muitas vezes somos orgulhosos demais para mudar um preconceito. Essa dificuldade em conhecer a realidade (nossa própria e dos outros) nos impede de viver verdadeiramente. Por isso que eu disse no começo do texto que os intermináveis diálogos do filme eram sensacionais.

Somente a conversa interessada pode mudar nossas opiniões já formadas mas que são rasas e cheias de idiotices. Mostrar interesse é ser interessante, deixar o orgulho de lado é provar que podemos ser chamados de homens.

Os tempos são outros, mas os vícios continuam os mesmos. Atualmente não escutamos as pessoas, não abrimos os olhos para os detalhes e só queremos saber do que é fugaz, do que é instantâneo. Pobre de nós que não conversamos mais.


Boa semana, faces

Thailan de Pauli Jaros

19JAN2021

P.S. A partir da semana que vem os textos serão publicados toda terça-feira às 10h.

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