Acordei no meio da madrugada, o barulho da buzina era ensurdecedor. Fui o último a levantar, era cinco e meia da manhã e fazia três graus negativos. A geada já tinha chegado.
A buzina disparou no meio da noite, devia ser o frio ou sei lá. Os vizinhos também acordaram, o carro era deles. Voltei a dormir.
O inverno finalmente chegou e não gostei nada disso. Antigamente adorava o frio, hoje ando meio irritado. Acho que o meio termo é melhor. Nem tanto ao céu, nem tanto a terra.
Acho que sou eu que ando reclamão e irritado. Não tenho muita paciência com retalhos, coisa mal feita e gritaria. Volume muito alto é chato. Ok, eu sou chato.
(*)
Mas na noite fria e isone as vozes falam na cabeça. Às vezes dá uma grande discussão, às vezes pensamentos ridículos, às vezes nada além de palavras soltas.
As vozes mandam e eu obedeço. O soneto acaba na primeira estrofe, a rima sai mal feita e o projeto de escrita não passa das primeiras palavras. No fim das contas as vozes sou eu.
Atualmente acho que os sussurros falam mais alto do que a gritaria. Pelo menos algo se aproveita nos sussurros, sensação estranha. Arrepia.
E sussurro combina com Bossa Nova. No século em que nada tem significado parece meio piegas se atentar aos detalhes. Cada curva nas paredes (ou na mulher brasileira), cada nota tocada, cada respiro insuficiente e cada arranhada no violão são suficientes para manter a calma e seguir em frente.
O sussurro de um João, a nota de um certo Tom e a poesia de um Vinicius trazem paz para o coração e um respiro para a alma. As vozes dizem o que queremos ouvir, mas quando precisamos elas calam. Só nos restam o tango argentino, o jazz americano e a Bossa Nova brasileira.
(*)
Sol de inverno não esquenta, GPS não encontra a esquina, palavras voam no vento e o mundo continua girando.
Até semana que vem
Thailan de Pauli Jaros
9JUL2019


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