é tudo pré fabricado
Ninguém sabe de nada
não tem significado
A crônica é a mais bela
Mas não faz mais diferença
Uma canção à capela
e o mundo só ouve aparência (sofrência)
O mundo não acabou
Mas não encontro a milonga
Procuro o que sobrou
Não faz sentido essa conta
(...)
Me vi escrevendo uma milonga, mas não sabia o que a milonga teria para me dizer. Me vi escrevendo mas não consegui escrever. Me vi escrevendo e nem sabia o que seria uma milonga. Lembrei que o mestre Luiz Carlos Borges teve um encontro com a Milonga depois que ouvio que ela "estava morta". Tanta coisa já passou, tantas têm que passar e a milonga lá, batendo na nossa porta quase todos os dias, quase todos os anos. Se algo acabou, não foi a milonga.
Me vi escrevendo uma crônica, mas não compreendia o que a crônica estava tentando me dizer. Já não faz diferença a relação entre o objeto e o observador, tudo já foi feito, mas há tanto para fazer...
Me vi inundado de pensamentos, mas não sabia se esses pensamentos faziam sentido. Deviam fazer. No momento em que todos sabem de tudo, todos falam sobre tudo e debates se tornam repetição de velhas fórmulas feitas, eu não sabia o que dizer. Pré-fabricados transformam o mundo em cool, todos sabemos, todos devemos saber.
Um grita daqui, outro grita dali e eu continuo acompanhado da minha solidão silenciosa. Silêncio. Silêncio, por favor.
E minha milonga ficou incompleta, assim como minha crônica que acaba por aqui por não saber o que dizer. Não saber o que dizer às vezes faz sentido num mundo onde todos sabem de tudo. Ou pensam que sabem.
(Texto escrito em janeiro de 2019)
Thailan de Pauli Jaros
30JUL2019

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