Não lembro o ano, não lembro se era verão ou inverno. Mas lembro que estava na varanda de casa com um gibi na mão. Depois de tanto folhear e ver as imagens do livro comecei a juntar as sílabas e ler. Lembro muito bem do dia que aprendi a ler com o gibi do Rei Leão, uma adaptação literária do segundo filme.
Dizem que nossa memória nos engana e às vezes lembramos o que queremos e como queremos. Acho impossível alguém aprender a ler de uma hora para outra, mas foi assim que aprendi. Que eu me lembre.
Tenho o gibi até hoje e, numa das peças que a memória prega, acreditava que se tratava do primeiro filme. Foi quando achei, no meio das bagunças da infância, que vi a capa "Rei Leão II, o reino de Simba".
Ainda não assisti ao filme novo. Não por falta de vontade, mas por falta de oportunidade.
Lendo as críticas sobre a nova (?) obra, percebi a aflição que algumas pessoas têm a respeito da chamada "live action". Muitos escreveram sobre a emoção que o desenho proporcionou no século passado e a ausência dela nos dias atuais. Eu não tenho essa aflição e estou ansioso para ir ao cinema.
Mas fiquei pensativo ao ler essas críticas e confesso que refleti sobre a falta de emoção ou a expectativa que criamos sobre certas coisas. Para o leitor não pensar que, mais uma vez, viajei na maionese, posso explicar meu confuso raciocínio.
Por vezes criamos muita expectativa em coisas que podem não se materializar tão épicas quanto imaginamos. É só lembrar daquela viagem que você fez no passado e de que gostou muito e imaginar voltar para o mesmo local só que nos dias atuais.
Sim, será épico, memorável. Mas você imaginou o mesmo lugar que visitou no passado e se esqueceu que tudo pode ter mudado, o que existia antes pode não existir mais. Pode ser frustrante.
Eu era fã do Mickey quando pequeno e sempre assistia à um filme que ele se vestia de mago, o mais clássico da Disney. Escolhi não ver nos dias atuais para não apagar a boa memória que tenho dessa obra. Por puro medo prefiro não lembrar da história e enredo e preservar a boa lembrança do protagonista do mundo mágico da Disney.
Devemos aceitar que só a mudança é permanente. Não é uma mudança repentina como um soco no estômago. E sim algo leve e sutil que nem percebemos. Se temos os pés no chão e consciência de nossas raízes, a mudança é só um detalhe que passa batido no cotidiano.
Assim como velhos amigos que mudam mas esperam que o outro sempre continue igual, para manter a amizade e a leveza do passado.
A criança que assistia ao desenho na fita k-7 verde criou expectativa sobre o novo Rei Leão e pode sair frustrada. Sinto dizer, mas a culpa pode não ser da produtora do filme. Entretanto o novo não é tão cruel. Algum detalhe pode nos surpreender e fazer com que aproveitemos duas horas em frente à tela do cinema.
(*)
Como o dia é de tebetê devo contar que achei uma caixa com escritos antigos. Poemas nunca publicados e cartas que nunca enviei se tornaram inéditos para mim, o próprio autor.
É como se um vácuo tivesse se perdido no tempo e todas essas cartas que já tinha esquecido voltassem. Minha memória me pegou, disso eu não lembrava. Não criei expectativa e foi épico.
Grande abraço
Thailan de Pauli Jaros
25JUL2019


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